Diariamente, vemos a imprensa falar de "redes sociais", "mídias sociais", "redes de relacionamento", termos variados para o mesmo fenômeno, fato que contribui para dar um nó na cabeça dos iniciados no assunto... Sei que muitos leitores, ao ouvirem falar do tema, devem se perguntar: "Redes e Mídias Sociais? Meu Deus, que diabo é isso?". Nos meus próximos artigos neste blog, passarei a abordar cada vez mais este fenômeno das redes sociais, de forma que achei oportuno escrever um pouco a respeito do tema, dando um tempero histórico ao estudo.
Para a compreensão de um fenômeno, a sua conceituação é de extrema importância. Numa concisa e eficaz definição, em trabalho acadêmico elaborado em setembro de 2004, a então professora da Escola de Comunicação da Universidade Católica de Pelotas (ECOS/UCPEL), Dra. Raquel da Cunha Recuero, referiu-se às redes sociais como sistemas que “funcionam com o primado fundamental da interação social, ou seja, buscando conectar pessoas e proporcionar sua comunicação e, portanto, podem ser utilizados para forjar laços sociais”.
De alguns anos pra cá, simultaneamente com a explosão dos blogs na Internet, a expressão "redes de relacionamento" (social networks), que era empregada para denominar sites como Orkut e Facebook, aos poucos foi substituída por um dois termos mais amplos: "Redes Sociais" e "Mídias Sociais", aos quais tratarei por "Redes e Mídias sociais" (ou simplesmente RMS) daqui por diante. Embora as redes de relacionamento (ou sociais) estejam, nos dias atuais, associadas à Internet, o fenômeno é bem mais antigo do que imaginamos...
Em 2009, ao retomar minha conta criada no microblog Twitter anos antes, deparei-me com uma daquelas frases retransmitidas de forma viral pela rede, cuja autoria não se pode verificar. O internauta postou, dentro dos exíguos 140 caracteres permitidos pelo microblog, a seguinte questão: "Se o Twitter existisse à época de Jesus, quantos seguidores ele teria hoje em dia?". Por trás da aparente blasfêmia, o questionamento trazia nas entrelinhas uma inteligente associação histórica, sobre a qual falarei nos próximos parágrafos.
Apesar de minha perplexidade inicial com a referida frase, deixei de lado minhas convicções religiosas e metafísicas por um instante, parando para pensar no sentido oculto por trás daquelas palavras. Tal isenção na análise era importante à minha reflexão, pois eu sabia que, mesmo sem ter escrito uma linha sequer, Jesus Cristo formou, a partir de 12 seguidores (os apóstolos), uma rede social muito mais poderosa e influente que o Orkut, Twitter e Facebook juntos, deixando-nos uma mensagem que, até os presentes dias, repercute pelos quatro cantos do mundo.
Longe de querer fazer graça com a fé, vivemos numa era na qual até mesmo a Igreja Católica Apostólica Romana já se rende ao poder das redes e mídias sociais, como demonstra um artigo postado, no dia 12/05/09, pelo portal de informações da Agência Ecclésia, veículo ligado à mesma igreja. Transcrevo abaixo, para o conhecimento dos meus leitores, um trecho do artigo “A Igreja no Palco Mediático”, publicado pelo referido portal português:
Nas redes Sociais
“Novas Tecnologias, Novas Relações” é o tema para este Dia Mundial das Comunicações Sociais. Numa ocasião em que se faz doutrina sobre as potencialidades oferecidas pela “arena digital”, como lhe chama Bento XVI, a Agência ECCLESIA apresenta no dossier desta edição diferentes experiências relacionadas com o uso das novas tecnologias. Nomeadamente com o uso das redes sociais na evangelização. São padres que para além dos púlpitos de onde falam para públicos de encontros dominicais, estão atentos a outros sectores, às pessoas que não estão nos espaços físicos, mas nos virtuais. É aí procuram quem precisa de ser escutado. E existem já muitas presenças de Igreja nesse “continente digital” onde o Papa desafia a colocar a mensagem do Evangelho.
No atual momento histórico, não poderia deixar de refletir sobre o polêmico questionamento que li na minha página de recados no Twitter... Uma vez que até a poderosa Igreja Católica Apostólica Romana admite e rende-se ao poder das redes e mídias sociais, discutindo o tal influência entre seus seguidores, não me sinto desconfortável, ou mesmo cometendo nenhum sacrilégio, ao usar a anônima pergunta sobre a suposta quantidade de seguidores de Cristo nos dias atuais, postada no Twitter, como ponto de partida para o meu artigo.
Paulo de Tarso (São Paulo), o “convertido de Damasco”, ao tomar a dianteira para implantar células cristãs independentes por vários continentes, foi o grande analista de sistemas e engenheiro da rede social do cristianismo. Paulo foi o responsável pela implementação, em grande escala, da complexa rede de relacionamentos que levou adiante os ideais daquela nova doutrina, considerada, à época, uma ameaça ao “status quo” dos cidadãos do poderoso Império Romano, pois pregava a igualdade entre as pessoas não em posts de 140 caracteres, mas por meio das parábolas contadas por Cristo aos seus discípulos.
Em pouco se difere a rede social de 2.000 anos atrás, iniciada por Jesus Cristo e ampliada consideravelmente pelo esforço de Paulo de Tarso (São Paulo), das atuais redes e mídias sociais, a não ser o meio físico pelo qual os integrantes da rede se inter-relacionam. A rede social cristã, naquelas pequenas células iniciais implantadas por Paulo, foi criada com o mesmo “primado fundamental da interação social, ou seja, buscando conectar pessoas e proporcionar sua comunicação”, tal qual a definição das redes sociais feita pela Dra. Raquel da Cunha Recuero, citada anteriormente.
Não pretendo, com a presente análise, reduzir a importância da doutrina cristã a uma mera ação de marketing eficaz, a partir da brilhante logística da rede social implantada por Paulo de Tarso. Muito menos, pretendo traçar um paralelo com uma expansão mercadológica, tal qual a de muitas empresas ao implantar as suas filiais mundo afora... Trago esta reflexão sobre a citada rede social cristã para, sob a luz da história, avaliar um fato de relevante interesse ao estudo do tema das RMS, sem a pretensão de fazer proselitismo religioso ou algo do gênero.
No extremo oposto de Cristo temos o Anti-Cristo Adolf Hitler, um talentoso (e abominável) comunicador de massas, pessoa que conhecia muito bem o poder das redes sociais de sua época, vantagem que utilizou com maestria para o mal... Joseph Goebbels, ministro da propaganda Nazista, foi o engenheiro dessa diabólica rede social, iniciada sob o disfarce de um partido político num momento em que a população da Alemanha - arrasada pela I Guerra Mundial (e as dívidas dela resultantes), assim como pelas humilhantes condições de rendição impostas pelo Tratado de Versalhes - estava pronta para aderir à rede de relacionamentos do Anti-Cristo com mais rapidez que os brasileiros invadiram o Orkut há alguns anos atrás.
Goebbels fez um "eficiente" trabalho de lavagem cerebral nas massas, propagando a mensagem de ódio do Nacional Socialismo com mais rapidez que o marketing viral de hoje em dia, usado por marcas famosas para atingir seu público na Internet. Conquistando inicialmente o "público teen" por meio da "Força Jovem Nazista" (ou "Juventude Hitlerista"), ele conseguiu a adesão em massa aos perversos ideais da rede social do diabão do seu patrão, "postados" no livro pseudo auto-biográfico "Minha Luta" (Mein Kampf).
Apesar de impróprio o termo, Goebbels fez verdadeiros “milagres” com a sua propaganda no marketing do mal, convencendo quase toda uma nação a venerar o Füher (Adolf Hitler) como um Deus! Tal "talento" para o uso das redes sociais, se transposto para os dias atuais, superaria o do marqueteiro do presidente americano Barack Obama, responsável pela proeza de colocar o primeiro afro-descendente na direção da nação mais poderosa do mundo. Enquanto aqui no Brasil, com grande dificuldade, os marqueteiros de certo Presidente esforçam-se para convencer que a candidata do chefe é sua a imagem e semelhança, Joseph Goebbels, o "menino-prodígio" do diabão do III Riech, convenceu quase toda uma nação de que seu líder supremo era Deus!
Para termos uma noção do alcance da rede social Nazista, e da irresistível atração que exercia sobre os jovens à sua época, até mesmo Joseph Ratzinger, o atual Papa Bento XVI, participou da Juventude Hitlerista (JH). Ratzinger conta em suas memórias que, apesar de não ser simpatizante do Nazismo, ele e seu irmão Georg foram alistados pela Força Jovem Nazista. Isto lembra aquela conhecida história do "fumei, mas não traguei". Mas, enfim... Eram outros tempos na Europa, especialmente na Alemanha de 1943, e não podemos condenar uma pessoa pelas adesões (opcionais ou compulsórias) às redes de relacionamento de sua época.
O fenômeno das redes sociais, conforme demonstrado, está longe de ser algo recente na história da humanidade... Ele surgiu antes da Internet, mas foi na era virtual que estas redes encontraram uma maior velocidade de adesão de seguidores e, por consequência, na propagação de mensagens. Como vimos ao longo deste artigo, o apelo das redes e mídias sociais é tão grande entre as massas, que nem mesmo o bem e o mal subestimam o seu poder de sedução!
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Artigo publicado originalmente em 10/07/2010 no blog pessoal de Paulo Ferraz (Pablito).
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